A Polícia Civil do Piauí indiciou uma técnica de enfermagem pelos crimes de estelionato e tentativa de subtração de incapaz após a investigação sobre a tentativa de retirada de uma recém-nascida da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. O caso ocorreu no início de julho e ganhou repercussão após a suspeita ser impedida por familiares da bebê antes de deixar a unidade de saúde.
Segundo as investigações, a mulher teria simulado uma gravidez durante meses para familiares e pessoas próximas. A Polícia Civil apurou que ela preparou um quarto para receber um bebê e manteve a falsa gestação até o dia da tentativa de retirar a criança da maternidade. O inquérito concluiu que a suspeita utilizou esse artifício para obter vantagens financeiras e materiais de pessoas que acreditavam na gravidez, o que motivou o indiciamento por estelionato.
De acordo com a polícia, a técnica de enfermagem aproveitou o acesso que possuía à maternidade para se aproximar da mãe e dos acompanhantes. Ela teria informado que levaria a recém-nascida para a realização de exames de rotina, mas a movimentação despertou a desconfiança da tia da bebê, que conseguiu impedir a ação antes que a criança fosse retirada do hospital.
Durante o cumprimento do mandado de prisão, os investigadores encontraram na residência da suspeita um quarto montado para receber um bebê, com berço, roupas, fraldas e outros itens infantis. O material reforçou as evidências reunidas ao longo da investigação sobre a falsa gravidez e a tentativa de levar a recém-nascida.
A defesa da investigada solicitou a realização de exame para avaliar sua condição de saúde mental. Segundo os advogados, ela apresenta histórico de transtornos psiquiátricos, argumento que será analisado durante o andamento do processo. Até o momento, a Polícia Civil informou que essa alegação não altera as conclusões do inquérito nem o indiciamento realizado.
O caso segue sob análise do Ministério Público, que decidirá sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Paralelamente, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) instaurou procedimento ético para apurar a conduta da profissional na esfera administrativa.

