Projeto Mulheres Empoderadas compartilha a trajetória das figuras femininas que fizeram história ao longo das mais de oito décadas do HGV
Em 2026, o Hospital Getúlio Vargas completa 85 anos. Para celebrar a data, o hospital está realizando o projeto Mulheres Empoderadas, que compartilha a trajetória das figuras femininas que fizeram história ao longo das mais de oito décadas de atividades do HGV. A médica Joana Zélia Arcoverde entrou para a história da instituição de saúde ao se tornar a primeira mulher a assumir a direção-geral, em 2003, após 62 anos da inauguração do hospital em 1941. Um marco histórico que reforçou o protagonismo de mulheres na instituição, que, atualmente, também é gerido por uma mulher, a enfermeira Nirvania Carvalho.
Joana Zélia Arcoverde esteve à frente do hospital por quatro anos e meio, com uma gestão que ocorreu em um dos períodos mais desafiadores da história do HGV, antecedendo a transferência do Serviço de Urgência para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT).
Com formação em Pediatria e Saúde Pública, ela construiu uma trajetória sólida no serviço público. Atuou como médica do Estado, professora universitária no Departamento de Medicina Comunitária e gestora em diferentes órgãos da Secretaria de Estado da Saúde, com destaque para a implantação do Programa de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança, sempre voltada ao desenvolvimento de programas especiais.

Ao aceitar o convite para dirigir o HGV, em 2003, a médica encontrou uma instituição sobrecarregada. “O hospital vivia um período crítico. A urgência do estado era centralizada no HGV, sem infraestrutura adequada. Os corredores funcionavam como leitos, havia falta de vagas para internação e apenas seis leitos de UTI em funcionamento. Diante desse cenário, diversos projetos estavam paralisados por falta de recursos ou necessidade de reformulação”, relembra.
Para enfrentar os desafios, foi constituída uma equipe de planejamento responsável por revisar projetos, retomar obras e viabilizar melhorias estruturais e organizacionais. Com o apoio dos profissionais do hospital, Joana Zélia conduziu uma gestão pautada na recuperação de serviços essenciais e na valorização dos trabalhadores.
Entre os principais avanços, destaca-se a reabertura do Serviço de Hemodiálise, que estava desativado. Com isso, pacientes que antes eram atendidos em clínicas particulares passaram a ser assistidos novamente pelo HGV. O laboratório foi inaugurado em espaço adequado, e o refeitório passou por reforma completa, garantindo melhores condições de trabalho e alimentação aos servidores. Clínicas como a médica, urológica, cirúrgica e oftalmológica, Ambulatório e a Fisioterapia também foram reformadas, além da instalação de ventiladores para melhorar o conforto de pacientes e funcionários.
Com olhar voltado para o futuro, Joana Zélia implantou a área de Tecnologia da Informação (TI) e implantou a Assessoria de Comunicação e Ouvidoria, passos fundamentais para o início do processo de implantação da Acreditação Hospitalar. “A melhoria do hospital não se limitava à estrutura física. Era preciso qualificar processos, reduzir riscos, evitar erros desde a admissão do paciente e fortalecer a cultura de segurança e melhoria contínua”, destaca.
Na vida pessoal e profissional, Joana Zélia se considera realizada. Mãe de três filhos e avó de seis netos, celebrou em 2025 o jubileu de ouro na medicina. “Sempre me vi como mulher e sempre gostei de lutar para contribuir com o bem público, especialmente na atenção à saúde da criança. Continuo atendendo crianças e atuando tanto na universidade quanto no serviço público estadual. Acredito que o propósito da vida seja fazer o bem”, afirma.

Fonte: Governo do Piauí

